Há uns anos atrás, a Jo registou este domínio para mim, para me encorajar a escrever as minhas receitas. Só que eu sou uma pessoa de múltiplos projectos que muitas vezes acabam por morrer na praia (tipo este e este) ou que só fazem sentido em determinados períodos (tipo este), e acabei por não escrever aqui durante muito tempo. Um dia, achei que fazia sentido voltar a fazê-lo de maneira diferente.
Fui escrevendo sobre as minhas listas, sobre o fecho do ciclo do doutoramento, um período subsequente de pesquisa, de mudança, de adaptação. Olho para aquilo que fui escrevendo e tenho a sensação de que aquilo que ia escrevendo reflectia precisamente esse esforço de me adaptar. Guardo este espaço como um registo desse esforço.
No entanto, a vida mudou radicalmente e agora tenho a sensação de que estou a viver numa realidade 2.0: o trabalho começa a consolidar-se (fingers crossed!), a minha família está diferente daquilo que sempre foi, a vida aqui tem um tom bem diferente do de mera adaptação, e tenho mesmo a sensação de que a pessoa que aqui escreveu durante um par de anos (mesmo que de forma intermitente) está bem diferente.
Além disso, nos últimos meses, fui sentido vontade de escrever e partilhar algumas coisas que, de alguma forma, já não se enquadravam aqui, quer por uma questão de tom, quer por uma questão de forma.
Não sou muito fiel a um único espaço, mas pelos vistos sou fiel ao meu hábito de arranjar gavetas novas para ideias novas.
Por isso, a partir de agora, vou escrever aqui. Escrevo para mim muitas vezes, mas também escrevo com carinho para os 2 ou 3 leitores que eu sei que andam por aí e que serão bem-vindos se quiserem aparecer nesse sítio novo.
Até já!
Tuesday, June 13, 2017
ONE SECOND EVERY DAY - FEBRUARY-APRIL 2017
Só que não.
Em alguns dias, lembrei-me de pegar no telemóvel e de registar pequenos instantes. Ao rever estes momentos, vejo que fiquei com um registo de um dos períodos mais tristes da minha vida, mas que este também teve momentos muito bons. No fim, o reconhecimento de que uma época pode ser difícil no geral, mas que existem pequenos micro-períodos em que podemos esquecer isso tudo, e que funcionam como bolhas de ar que nos vão dando ânimo.
Em Fevereiro, o trabalho foi intenso. Chegou a minha irmã, para um período de voluntariado nos Alpes que foi logo interrompido pela notícia de que a nossa querida avó tinha falecido. Fomos todos a Portugal, netas e neto-adquirido, mais neto que adquirido, porque assim tinha de ser, para estarmos com o nosso avô e com a nossa família, e para ultrapassarmos aquele momento juntos. Revimos família, amigos, chorámos, rimos, sentimos o sol, usufruímos do quintal e fomos reconhecendo que ela continua presente no nosso dia-a-dia de formas infinitas.
De regresso à Suíça, tivemos visitas boas, respiramos o ar da montanha em inúmeras saídas de ski, passámos muito tempo com amigos que vamos deixando que se instalem nas nossas vidas, e cujo apoio, riso e companhia é profundamente apreciado.
Treinámos para os 20km de Lausanne, que corri com um prazer imenso. Corremos em sítios lindíssimos que temos a sorte de ter à porta de casa. O trabalho continuou a ser intenso, mas com uma estabilidade conturbada. Fui voluntária no Cully Jazz, um festival no meio das vinhas. Conheci novas pessoas e fui tentanto passar mais tempo com aquelas que me enriquecem.
No final, é uma questão de poder olhar para trás e reconhecer, com gratidão, o quanto este tempo foi... vivido.
Tuesday, February 7, 2017
ONE SECOND EVERY DAY - JANUARY 2017
Janeiro. De ressaca das "férias". A tentar recuperar o ritmo dos dias de trabalho. A neve demorou mais tempo a cair do que previsto, e ficámos à espera dela. Quando chegou, foi bem-vinda e passámos um fim-de-semana bom nas montanhas, a fazer bob com as crianças e a estrear as pistas de ski. Demos as boas-vindas ao pequeno J., aquele a quem nos habituámos a chamar Mirtilo enquanto estava na barriga da mãe e que nos encheu os corações de carinho. Novos desafios no trabalho e, no geral, um 2017 que parece estar bem encaminhado!
Monday, January 2, 2017
ONE SECOND EVERY DAY - DECEMBER 2016
De volta ao segundo por dia, depois de uns meses de pausa forçada por um telemóvel disfuncional.
Querido mês de Dezembro.
O mote para o último mês do ano - todo ele muito ecléctico e cheio de surpresas boas e más - foi dado pela fondue no clube de corrida. Um serão convivial, onde comecei a sentir aquela pertença que me tem feito falta na integração nesta vida nova, mas também a assinalar um mês sem qualquer tipo de corrida (ai...). Um mês de convívios com amigos, a preparação do Natal, e o meu aniversário, que foi servido com papas de sarrabulho que eu fiz. Passeios de bicicleta pelo Inverno suíço, novos desafios profissionais, e o regresso a casa.
O tempo que estivemos em Portugal passou muito rápido, demasiado rápido. Passei-o quase todo com o meu avô e com as visitas à minha avó, revi alguns amigos, comi bastantes coisas boas e foi tudo espremidinho. Num ápice, estávamos de regresso, sem saber muito bem como, a preparar-nos para um novo ano.
Friday, September 9, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - JULY 2016
Julho: o mês do Verão, do calor, dos passeios no lago com as crianças, dos concertos e das churrascadas. Refizemos a via ferrata em Kandersteg, e por muitas vezes que a faça, tenho sempre medo no início. Ultrapassar o medo é uma coisa boa. Fizemos piqueniques, demos braçadas na piscina, passeámos. Voltámos a comer na varanda. Vibrámos com a vitória europeia da Selecção, mas eu descobri que sou uma emigrante que não tem uma bandeira ou uma t-shirt que se preze para comemorar. Houve muitas brincadeiras com o Z., e o início de um novo desafio, com o qual estou muito entusiasmada. O final do mês foi triste porque o Tobias ficou doente e passou uns dias internado e ficámos muito preocupados com ele. Mas ele ficou bom, e continuámos a nossa vida, tentado retirar o melhor de todas as situações!
Sunday, July 31, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - JUNE 2016
Ah, o mês de Junho foi tão repleto! Numa alternância maluca entre dias de frio e chuva com dias de muito calor, as brincadeiras com as crianças continuaram. Voltei a inscrever-me numa corrida e bati o meu record pessoal para os 10km. Nada de especial, mas é sempre uma pequena conquista. Também tentei acabar o xaile para o casamento da Catarina, mas depois de o recomeçar várias vezes, rendi-me à evidência de que estava a ficar horroroso e não tive coragem de o oferecer. Fomos a casa. Aos 18 anos do meu primo F. Ao casamento da Catarina e ao reencontro com tantos amigos. Às sardinhas na casa da minha avó. E ainda tivemos tempo para passear. Regressei e recebemos os pais do Z. aqui em casa; aprendemos a fazer as melhores moelas do mundo e demos-lhes a conhecer o nosso "cantinho" aqui. Chegou o tempo das grelhadas. Portugal foi passando as fases do Euro e a cada fase passada, o buzinão em frente à nossa casa era cada vez maior. E o Z. lançou-se à séria nos concertos ao vivo e foi com um orgulho do tamanho do mundo que fui assistir a todos!
Friday, July 8, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - MAY 2016
Ah, Maio, onde já lá vai. Começou com a festa de anos da I. e a tradição que inaugurámos de fazer uma dinâmica para o aniversariante "conquistar" a sua prenda. A minha escova dos dentes na borda do lavatório, estrategicamente posicionada pela pequena de 4 anos, "que já que eu tenho de lavar os dentes, também devias lavar para dar o exemplo, ó adulta!". Depois houve, como sempre, muitas horas com as crianças, passeios por sítios novos e lindos da Suíça, a Fête de la Danse, onde dancei de tudo um pouco, mas onde as Tarantelle foram as minhas preferidas. Música, sempre muita música nesta casa, nesta terra, por todo o lado. E o bom tempo quase a chegar, muito tímido e esporádico, mas quase aí.
Sunday, May 22, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - APRIL 2016
Abril foi o mês de ver renascer a Primavera aqui na Suíça, um país onde as estações do ano são belissimamente demarcadas. Começou em Copenhaga, que visitei primeiro sozinha e onde depois tive uma reunião em que cozinhámos, cantámos e conversámos ao redor da fogueira. Também houve muita chuva e saltos em charcos de galochas, um novo trabalho para mim, escalada com amigos e cães de amigos, mais visitas a Kandersteg, passeios no bosque, o gato tolo, um puto apaixonado pelo gato, e uma formação com escuteiros portugueses que foi muito boa, mas que eu me esqueci de filmar por estar tão embrenhada no trabalho. Um mês preenchido e bom!
ONE SECOND EVERY DAY - MARCH 2016
Já com um imenso atraso, mas aqui vai o vídeo dos segundos compilados do mês de Março. Um mês quase todo dedicado a aventuras com crianças, ao final da época maravilha do ski, mais mudanças na vida, a celebração do novo emprego do z, jantares em frente à TV a ver a bola, e visitas a Kandersteg. Aparecem escuteiros a cantar - mas não fui eu que fiz o vídeo - estavam a cantar uma canção que ajudei a procurar no baú e que trouxe boas memórias. E terminou na bela cidade de Copenhaga, onde andei a passear sozinha.
Tuesday, March 29, 2016
A LIST FOR WHILE I'M THIRTY
This started out to be a blog about food. Then it was just a blog about anything random that I wanted to share. Now it looks like it's a blog about my lists (this one is still going!). Looking back at all the other lists and all the other posts, I can get a sense of where I was at that time, and why I wanted to do what I wanted to do. It is challenging to have some of the things looming over you, and when you push yourself to cross off something in the list, there is a satisfying sense of accomplishment.
My aunt, who will be 50 this year, told me she was working on a list of 50 things to accomplish while she was fifty and challenged me to do the same for 30. It's not like I would ever refuse such a thing, so here is a list for while I'm 30, even though I've been there for 3 months already.
It is a nice, pleasurable list, with things I love, with some things I will surely cross off, and other things that will make me push myself a little bit to accomplish.
1. Plan a trip to another continent
2. Go on a trekking holiday
3. Run a half marathon 30.10.2016
4. Make a wedding shawl for a friend
5. Read 15 books (9/15)
6. Keep some kind of journal
7. Print a 2014/2015 photobook
8. Visit 3 new cities (1/3) Copenhagen;
9. Write and submit 3 articles (0/3)
10.Write and send 30 letters (3/30)
11. Make a list with 30 songs of my life (0/30)
12. Read a book in French
13. Buy a new camera
14. Save 30% of my income
15. Read and jot down 30 poems (2/30)
16. Lead on a 5c climb
17. Learn to use R
18. Knit 3 things for myself (0/3)
19. Prepare a pitch for a new job
20. Ski down a red piste without falling
21. Read the Bible
22. Go to a glocals gathering of some kind I registered at a running club, which is basically the same thing
23. Organize a surprise
24. Sew something wearable for myself
25. Go on a >30km bike trip 4.12.2016
26. Finish 30 days of something
27. Cook and post 30 recipes (0/30)
28. Reanimate my IG account by posting at least a picture a week (36/36)* Definitely wasn't one picture a week, but since I wrote this, I posted... exactly 36 here
29. Donate blood
30. Go on a tandem paragliding ride
*This list is published while there are 36 weeks to go!
Wednesday, March 2, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - FEBRUARY 2016
Ah, Fevereiro. Ainda não consegui acertar com os vídeos todos os dias, mas o hábito já se vai instalando. O mês trouxe, finalmente, o frio e a neve. Comprei os meus primeiros skis e fomos testá-los. Continuo a passar muitos dias a inventar brincadeiras. Fui a Budapeste e recuperei energia para voltar a empenhar-me em algum trabalho dos escuteiros, com alguma moderação, claro. Recebi, finalmente, a autorização de estadia e, ao fim de 7 meses, deixei de ter estatuto de turista para passar a residente. Fui a Portugal pela primeira vez desde Setembro. Estive com os meus avós, os meus pais, alguns amigos e conheci a Carolina. E regressei, bem mais inspirada para os próximos meses!
Wednesday, February 10, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - JANUARY 2016
Janeiro aparentemente passou a correr: estive doente durante duas semanas, tive a visita da minha irmã durante outras duas, o meu telemóvel avariou durante uns dias e esqueci-me de filmar muitos segundos.
No entanto, ao olhar para trás, relembro vários momentos e a aparente sensação de que o tempo voou sem saber muito bem como é substituída por uma recordação de um mês bem preenchido com jogatanas de monopólio, a primeira queda de neve do ano, o ski, levar os meus amigos novos a Kandersteg e vê-los a apaixonarem-se pelo sítio, descida de trenó pela montanha abaixo à noite, uma introdução gastronómica da R. à Suíça, com um menu diferente quase todos os dias que ela esteve cá (nem sempre suíço, claro) e muitas tardes passadas a brincar.
Saturday, January 2, 2016
ONE SECOND EVERY DAY - DECEMBER 2015
Dezembro foi um mês intenso, com muitos altos e baixos e com muitas novidades. Depois de ter decidido que me ia desafiar durante 30 dias*, parece que as coisas começaram todas a acontecer em catadupa e, apesar de não ter conseguido cumprir o desafio todo, desde que cheguei à Suíça não houve mês que trouxesse mais novidade que este, o impulso de que estava a precisar para começar um ano de 2016 prometedor.
Além disso, foi o mês em que fiz 30 anos. Um marco cheio de perguntas, de dúvidas, de balanços interiores, de saudades, mas também de comemoração e de esperança. Conheci seis pequenos que serão o meu desafio durante a primeira metade do ano. Houve jantares, comezainas com amigos, comemorações, corridas, bolos, um Natal muito diferente do habitual, mudanças em casa e muitas arrumações, bons serões no sofá a ver filmes, tricot, travessuras com o gato e ainda a última caminhada do ano num dia de fim de Outono cheio de sol. Aqui na Suíça foi o mês de Dezembro mais quente desde que há registo aqui na Suíça e a neve tarda em chegar; a mim encheu-me as medidas.
*entretanto, e mesmo depois de ter passado o prazo, continuo a riscar itens desta lista, toda contente!
UM BOLO RAINHA PARA UM NATAL DIFERENTE
2015 foi um ano com muitas mudanças e muitas novidades. Uma delas foi termos decidido ficar por aqui no Natal, em vez de irmos a casa passá-lo com as nossas famílias e com o busílis do costume.
Se, por um lado, sentimos a falta de toda a confusão, de rever a nossa família e os nossos amigos e de sentir o aconchego inexplicável que nos traz fazer aquilo que fazemos todos os anos, também foi bom criarmos um Natal nosso e aceitarmos com naturalidade todos sentimentos que vêm ao de cima nesta época - as saudades, a alegria, a paz, a ausência de stress, a tristeza da distância, as conversas por skype e pelo telefone com a família, o saborear lentamente uma refeição escolhida e cozinhada por nós, sem interrupções e com tudo aquilo que gostamos. Uma mistura de vivências muito eclética, mas muito sentida.
Nos dois dias antes do Natal cozinhei muito e passei umas boas horas a fazer bolo rainha. Não havendo as nossas pastelarias preferidas do costume, recusei-me a gastar um tostão que fosse para comer um bolo rei seco, processado e cheio de fruta cristalizada barata e ressequida - além de que detesto a fruta cristalizada do bolo-rei - e abusivamente caro. Arregacei as mangas, procurei uma receita, adaptei-a ao meu gosto e fiz quatro bolos rainha para nós comermos e para oferecermos às pessoas que nos fizeram sentir em casa aqui nos últimos meses.
No dia de Natal, fomos buscar couves galegas ao quintal de uma dessas pessoas e andámos a distribuir os bolos rainha. Assim se criam novas tradições, aquilo que torna estas épocas especiais.
Bolo Rainha
500 de farinha de trigo sem fermento
40g de fermento de padeiro fresco
150mL de leite morno
100g de manteiga derretida
150g de açúcar
2 ovos batidos
uma pitada de sal
50g de sultanas
50g de uva-passa
100g de amêndoa palitada
30g de pinhões
50g de nozes picadas grosseiramente
40mL de vinho do Porto
40mL de rum (na receita original pede brandy, mas eu usei o que tinha à mão - também deve funcionar bem com aguardente, kirsch, cachaça, ou outras bebidas espirituosas do género)
Para decorar:
1 ovo batido
metades de noz
amêndoas inteiras
pinhões
açúcar em pó
Nota: Tradicionalmente, faz-se o bolo directamente numa bancada. Coloca-se a farinha, faz-se um buraco no meio como se fosse um vulcão e colocam-se os ingredientes húmidos no meio, misturando-se a farinha gradualmente. No entanto, eu dispenso o caos e a bodega que isso traz para a bancada, e acho que é perfeitamente possível fazer-se a mesma coisa usando uma tigela/bacia grande.
Aquece-se o leite até que fique morno e ao mesmo tempo derrete-se a manteiga. Enquanto a manteiga arrefece um pouco, coloca-se o leite morno numa tigela com o fermento de padeiro e mexe-se com um garfo até que o fermento de padeiro dissolva.
Numa tigela ou bacia grande coloca-se a farinha. Faz-se um buraco largo no centro e colocam-se a mistura de leite com fermento de padeiro, a manteiga derretida e ligeiramente arrefecida, os ovos previamente batidos, uma pitada de sal e o açúcar.
Usando um garfo, envolve-se gradualmente a farinha com a mistura que está no centro até que fique uma massa peganhenta, mas relativamente homogénea. Enfarinhar um pouco as mãos, amassar um pouco a massa até que esteja tudo bem ligado. Neste momento, a massa já deve estar menos peganhenta e deve ser possível fazer uma bola.
Deixa-se a massa na tigela, coberta com um pano, para levedar durante cerca de 2 horas num local morno e afastado de correntes de ar.
Entretanto, misturam-se os frutos secos com o rum e o vinho do Porto. Ao fim do tempo de levedura da massa, incorporar a mistura de frutos secos, amassando tudo muito bem para envolver os frutos de forma homogénea. Deixar a massa repousar novamente na tigela coberta com o pano durante mais 1 hora.
Ao fim deste tempo, forrar um tabuleiro de ir ao forno com papel vegetal. Colocar a massa em cima do papel vegetal em forma de argola. Ligar o forno a 180ºC e deixar aquecer bem durante 10 minutos, aproveitando para deixar a massa descansar mais um pouco.
Pincelar a massa com ovo batido, decorar com os frutos secos a gosto. Levar ao forno durante 45 minutos, até que o bolo fique bem dourado. Ao retirar o bolo do forno, polvilhar com açúcar em pó usando um coador.
Embrulhar em papel e oferecer com muito carinho... ou não. O bolo rainha aguenta-se durante 2 ou 3 dias num recipiente fechado e quando estiver a ficar seco pode-se fatiar e comer torrado com manteiga a pingar. Também se pode congelar e depois colocar directamente na torradeira quando se quiser comer. Já mencionei a manteiga a pingar?
Thursday, December 3, 2015
PUDIM DE ABÓBORA
No fim-de-semana tivemos um jantar entre amigos inspirado no Thanksgiving. Com tarefas partilhadas, a mim calhou-me uma das sobremesas e inspirei-me na clássica tarte de abóbora americana e no desafio de fazer uma lemon meringue pie que me tinha imposto há uns tempos. Daqui resultou uma tarte de abóbora com um topping de marsmallow que ficou deliciosa, embora a foto não lhe faça grande justiça.
O marshmallow estava delicioso e dava um toque engraçado à tarte; a massa era crocante e jogava tudo muito bem. No entanto, o que mais me atraiu na tarte foi o creme de abóbora. Tendo no frigorífico umas boas sobras de puré de abóbora, ocorreu-me experimentar fazer o creme sozinho e, como tinha uma consistência boa, pensei logo que poderia ficar bom em forma de pudim,
Daí, dei uns retoques na receita clássica do pudim de leite condensado e o resultado foi um pudim leve, com uma textura cremosa e com um travo a especiarias já a apontar para o Natal.
Pudim de abóbora
2 abóboras butternut (o suficiente para dar 500g de polpa de abóbora)
1 (250ml) de açúcar
125 ml de água
1 lata de leite condensado
3 ovos
1 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de gengibre em pó
1/4 colher de chá de cravinho em pó
Cortar as abóboras a meio na vertical e retirar as sementes. Colocar com a casca para cima num tabuleiro e levar ao forno a 200ºC durante 1h30-2h, até que a pele esteja enrugada e a polpa mole. Retirar do forno, deixar arrefecer um pouco e separar a polpa da casca com uma colher. Passar a polpa com a varinha mágica até que fique em puré.
Colocar o açúcar num tacho e deixar começar a caramelizar. Juntar a água - se esta estiver quente é melhor porque respinga menos ao juntar ao caramelo. Deixar dissolver tudo e levantar fervura até que todos os grumos tenham derretido e tenha a consistência do caramelo líquido. Untar uma forma de pudim com o caramelo.
Pesar 500g da polpa da abóbora. Guardar o restante para fazer sopa ou outra coisa qualquer. Juntar uma lata de leite condensado, 3 ovos previamente batidos e as especiarias. Envolver tudo com uma colher, sem bater para não ganhar bolhas de ar. Colocar na forma.
Levar ao forno em banho-maria (eu aqueci a água do banho maria no forno durante algum tempo) a 180ºC. Cozer durante cerca de 2h, ou até que o pudim fique cozido. Testar com um palito.
Deixar arrefecer na varanda, se estiver frio como nestas terras. A mim bastou-me deixar a forma na varanda durante a noite e, no dia seguinte, desenformei. Ficámos com um pudim consistente, cremoso, e com todos os sabores importantes da tarte de abóbora. Confirmou-se que o marshmallow e a massa quebrada só serviam para distrair. Que gulodice!
Tuesday, December 1, 2015
CÁ EM CASA TEM SIDO DISTO
Tenho uma carrada de posts em atraso, mas isso já era de esperar. Entretanto, cá em casa, temos tido uns serões mais virados para as galáxias.
Monday, November 30, 2015
ONE SECOND EVERY DAY - NOVEMBER 2015
E, de repente, já passou Novembro. Um mês que começou com a submissão de uma bolsa, com a muito bem-vinda visita da Jo, que fez aqui 30 anos. 30 anos que estou quase também a fazer e impus-me um desafio, que tenho seguido com algumas falhas, mas que me está a dar algum gozo e motivação. Tivemos obras cá em casa e o resto do mês passou-se em aventuras culinárias, na procura de emprego e a atar algumas pontas soltas. Venha Dezembro e, com ele, o meu aniversário, o Natal e muitas aventuras novas!
Wednesday, November 25, 2015
E... DESCARRILOU.*
Ah, que estava a correr tão bem!
As temperaturas desceram abaixo de zero, eu passei o fim-de-semana a laurear a pevide e a comer coisas deliciosas, e de repente... foi tudo por água abaixo. Nunca mais escrevi.
Tudo não, que o yoga resiste (ok, no fim-de-semana não consegui fazer, mas ainda vou conseguir apanhar o que está em falta).
Mas para não estar aqui a lamentar-me pelos falhanços cometidos, há que voltar a rescuperar o ritmo (e repor os posts em falta). Mas antes, queria falar do Desert Island Discs.
O Desert Island Discs é um programa da BBC4 que já existe há muitos anos. Cada episódio do programa recebe um convidado diferente, uma personalidade, que é convidada a inventariar oito músicas, um livro e um item de luxo que levaria para uma ilha deserta. Durante o programa, o convidado vai conversando sobre a sua vida e debatendo as suas opções.
Não sei se é por ter uma certa curiosidade pelas histórias das pessoas, ou se é por eu própria estar numa série de crossroads, que me traz alguma paz ouvir falar sobre as crossroads dos outros. Não sei se é pelas músicas, com selecções do mais eclético que pode haver, mas que pintam os caminhos que as pessoas foram trilhando. Mas sei que gosto muito e alguns castaways têm sido verdadeiras revelações.
Aqui deixo uma lista dos meus castaways preferidos:
- Daniel Kahneman: este foi o meu preferido de todos os episódios que ouvi. O Kahneman, além de um génio, é uma pessoa lúcida, engraçada e inspiradora. Quando ouvi este podcast estava em Braga, a desmontar a minha cama, e pensei que se, enquanto investigadora, conseguisse atingir 10% da sua profundidade teórica (nem falo em reconhecimento...), sentir-me-ia realizada.
- Rebecca Addlinton: além do óbvio interesse pelo percurso de um atleta, gostei muito de ouvir esta, porque também fui pré-teen na Inglaterra. Quando os meus amigos portugueses se lembram de coisas típicas da cultura portuguesa dos anos 90, às vezes sinto um bloqueio. Quando ouvi este episódio, tive a certeza do que já suspeitava - não é que eu não estivesse atenta. Estava era noutro sítio!
- A paixão subjacente a todo o trabalho da professora Sue Black (que eu não conhecia)
- O percurso musical, a simplicidade e a paixão da Alison Balsom (que também não conhecia)
- Jimmy Wales, co-fundador da Wikipedia
- E relacionados com comida - a Ruth Rogers, fundadora do épico River Café, e o Jamie Oliver, quando ainda era um jovem revolucionário e pouco conhecido.
Sempre que vou aos arquivos, encontro algumas pérolas, e divirto-me a ouvir as histórias. Felizmente, tenho arquivos que me demorarão uma vida a ouvir!
*Este substitui o post de Sábado.
As temperaturas desceram abaixo de zero, eu passei o fim-de-semana a laurear a pevide e a comer coisas deliciosas, e de repente... foi tudo por água abaixo. Nunca mais escrevi.
Tudo não, que o yoga resiste (ok, no fim-de-semana não consegui fazer, mas ainda vou conseguir apanhar o que está em falta).
Mas para não estar aqui a lamentar-me pelos falhanços cometidos, há que voltar a rescuperar o ritmo (e repor os posts em falta). Mas antes, queria falar do Desert Island Discs.
O Desert Island Discs é um programa da BBC4 que já existe há muitos anos. Cada episódio do programa recebe um convidado diferente, uma personalidade, que é convidada a inventariar oito músicas, um livro e um item de luxo que levaria para uma ilha deserta. Durante o programa, o convidado vai conversando sobre a sua vida e debatendo as suas opções.
Não sei se é por ter uma certa curiosidade pelas histórias das pessoas, ou se é por eu própria estar numa série de crossroads, que me traz alguma paz ouvir falar sobre as crossroads dos outros. Não sei se é pelas músicas, com selecções do mais eclético que pode haver, mas que pintam os caminhos que as pessoas foram trilhando. Mas sei que gosto muito e alguns castaways têm sido verdadeiras revelações.
Aqui deixo uma lista dos meus castaways preferidos:
- Daniel Kahneman: este foi o meu preferido de todos os episódios que ouvi. O Kahneman, além de um génio, é uma pessoa lúcida, engraçada e inspiradora. Quando ouvi este podcast estava em Braga, a desmontar a minha cama, e pensei que se, enquanto investigadora, conseguisse atingir 10% da sua profundidade teórica (nem falo em reconhecimento...), sentir-me-ia realizada.
- Rebecca Addlinton: além do óbvio interesse pelo percurso de um atleta, gostei muito de ouvir esta, porque também fui pré-teen na Inglaterra. Quando os meus amigos portugueses se lembram de coisas típicas da cultura portuguesa dos anos 90, às vezes sinto um bloqueio. Quando ouvi este episódio, tive a certeza do que já suspeitava - não é que eu não estivesse atenta. Estava era noutro sítio!
- A paixão subjacente a todo o trabalho da professora Sue Black (que eu não conhecia)
- O percurso musical, a simplicidade e a paixão da Alison Balsom (que também não conhecia)
- Jimmy Wales, co-fundador da Wikipedia
- E relacionados com comida - a Ruth Rogers, fundadora do épico River Café, e o Jamie Oliver, quando ainda era um jovem revolucionário e pouco conhecido.
Sempre que vou aos arquivos, encontro algumas pérolas, e divirto-me a ouvir as histórias. Felizmente, tenho arquivos que me demorarão uma vida a ouvir!
*Este substitui o post de Sábado.
Friday, November 20, 2015
LOOKING FORWARD
Depois de uma semana meia descalibrada, com poucas horas de sono, obras em casa, e alguma desorganização, chega o fim-de-semana e, com ele, planos para os próximos dias e para a próxima semana.
Em cima da mesa temos:
- Uma pequena visita a França
- O frio que veio para ficar, com chuva e alguns dias em que as temperaturas vão abaixo de zero (mas eu continuo a dormir de pijama de Verão, que dentro de casa está-se bem)
- Com o frio, um desafio acrescido para sair de casa para correr, mas temos de ser fortes e não há grande margem para me baldar
- Um festival de luzes em Lausanne
- Começar a pensar nas prendas de Natal (feitas à mão?), que este ano vão pelo correio
- Picar mais alguns pontos da lista
- Uma espécie de Thanksgiving adaptado, com amigos portugueses e leitão (e eu encarregue da Tarte de Abóbora)
- Trabalhar em dois artigos, para não perder o foco
- Músicas novas cá em casa: dele (a praticar no baixo) e minhas (eu só ouço). Muito distintas, mas nesta casa pequenina cabe de tudo
- Uma nova série (porque os episódios do Fargo vêm às pingas)
- Decisões, decisões, decisões...
Volto no Domingo!
Thursday, November 19, 2015
A PROPÓSITO DO ASHTANGA YOGA
O post de hoje é curto e quase como anexo ao post anterior. Ainda muito verde nestas coisas do Yoga, interessei-me de repente pelas diferentes abordagens e pelo seu propósito. Há muita coisa escrita por essa web fora, e muitas delas por Americanos; nem me atrevo sequer a abordar as correntes mais tradicionais e mais enraizadas culturalmente no mundo oriental. De toda a maneira, esta entrevista elucidou algumas das minhas questões a propósito das várias correntes.
Curiosamente, descobri a Maty Ezraty porque andava a tentar perceber no que consistia a Primary Series do Ashtanga Yoga. Vi este vídeo, de uma aula dada pelo fundador da corrente Ashtanga, com alunos (muito novos!!) que depois viriam a ser os difusores desta corrente nos EUA. Podem dizer que é tudo muito ocidentalizado e que há muita coisa que se desliga do propósito original do yoga, mas eu (de forma algo ingénua, admito) acho que a globalização nos deu esta preciosidade, que é estender o melhor das nossas culturas bem além das fronteiras.
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