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Friday, May 16, 2014

O PRATO DO DIA #2


Sempre pensei que um dia, quando me decidisse a publicar fotos de comida, já seria uma expert em fotografia e só mostraria fotografias de comida bonita, sexy, com muito estilo e com as técnicas mais brilhantes de fotografia. Só nessas condições é que qualquer fotografia de comida seria fotografável. Também faria pratos cuja deliciosidade teria uma correlação quase perfeita com uma aparência imaculada e com o potencial para partilhar.


As it turns out, isso era tudo treta de wannabe. A minha cena não é criar pratos bonitos. A minha cena é criar pratos para eu comer a seguir. Sozinha e a ver um episódio de uma série qualquer que só dure 20 minutos, porque a seguir tenho de ir trabalhar e não se vê séries durante o dia quando se tem uma tese para terminar.

Por isso, a vontade de fazer pratos bonitos relega-se para segundo plano quando se quer é comer, e a mesma coisa vai para lhes tirar fotografias quando as coisas estão a arrefecer e a urgência de as comer é maior.

 
Quem é que quer saber se eu sujei o fogão todo quando cortei um tomate sumarento para dentro de um tacho? Era um tomate sumarento! Só um tomate deu para fazer um arroz de tomate para mim! Só para mim!

E as duas cavalas que ali estão não são especialmente belas. Mas por pouco mais de 1,50€ as duas, tinha de as partilhar. Porque cavalas podem não ser o peixe mais famoso do mundo, e podem ser mais secas do que o robalo e a dourada, mas têm um sabor especial que eu adoro. Com muito limão e um arroz de tomate que eu amo de coração.

Então, o que eu fiz foi:

- Cortar as cavalas em filetes e espremer o sumo de meio limão e uma pitada de pimenta. Reservar.
- Cortei dois dentes de alho para um tachinho e refoguei com um tomate partido grosseiramente (já disse que ele era muito sumarento?). Juntei um bocado de sal e água e deitei para lá meia chávena de café de arroz (sim, das de expresso - é a medida certa para uma refeição para mim).
- Quando o arroz estava quase cozido, grelhei as cavalas num tacho bem quente: primeiro com a pele para baixo, para ficar bem tostadinha. Virei e grelhei só uns segundos, que a cavala não se quer demasiado cozinhada, senão fica muito seca.
- Já no prato, reguei os filetes de cavala com umas gotas de sumo de limão, uma pitada de sal e um fiozinho de azeite. Pus muito cebolinho, porque era o que tinha à mão, mas desconfio que com salsa fica melhor.


Saturday, September 28, 2013

BEM-VINDO, OUTONO


Chegou o Outono.
Chegou o tempo do frio e da chuva. Chegou o tempo em que não tenho de regular os estores de casa a toda a hora para impedir a entrada do calor. Posso andar de meias. Posso dormir de meias. Trabalho sem ter calor e ainda não está demasiado frio, por isso posso ter as janelas abertas enquanto ouço a chuva a cair. Sinto-me aconchegada em casa, a trabalhar, e não tenho a sensação constante de que bem, bem só se está na praia.


O Outono é generoso para os gatos e para quem tem teses para escrever: os primeiros recuperam as sestas nas mantas e já não andam esparramados pelo chão, tipo bacalhaus, para se refrescarem. Os segundos, esses, podem voltar a comer sopa com prazer.


Sopa de Cenoura e Courgette

1 cebola grande
4 ou 5 dentes de alho
1 courgette gigante (ou duas médias)
5 ou 6 cenouras
azeite
sal
pimenta

Cortar a cebola e o alho em pedaços grandes. Deixar suar, com azeite, numa panela fechada e até ficarem translúcidos. Juntar a courgette e a cenoura em pedaços. Deixar cozinhar alguns minutos para ganhar o sabor da cebola. Deitar água, o suficiente para cozer, mas sem cobrir os legumes. Passar com a varinha mágica, ajustar a consistência da sopa acrescentando mais água. Levar novamente ao lume, deitar sal e mexer bem.

Servir com cebolinho picado e pimenta. Ontem também lhe juntei um bocado de pó de caril, gengibre e piripiri. Desconfio que com noz moscada também fica bom. Acho que esta sopa é palco para boas invenções com especiarias, ervas aromáticas, sementes ou até um queijinho de cabra esfarelado.


E depois acompanhei com um pão pita, recheado com húmus (feito com grão de bico que cozi há uns tempos e congelei), beringela grelhada e salada. Delicioso. Alguns apontamentos:
- salgo as fatias de beringela com sal grosso uns 15 minutos antes de grelhar. Corta a acidez e larga uma grande parte da humidade que contêm. Antes de as grelhar, sacudo o sal todo e seco muito bem com papel absorvente;
- para o húmus uso apenas o grão de bico, sumo de limão, sal, azeite e um dente de alho. A receita original pede tahini (pasta de sésamo) e realmente fica melhor, mas a sua ausência não é impedimento para que fique delicioso na mesma.