Saturday, November 14, 2015

WHERE IS HOME?

Quando era pequena, os meus pais tinham o hábito de chamar "colmeia" às casas onde íamos vivendo. Duas casas em Braga, uma em Inglaterra, depois mais duas na Póvoa de Lanhoso, mais as outras mudanças que vieram a seguir e que demoro sempre imenso tempo a explicar. Não sei muito bem de onde veio esse conceito de colmeia e, quando era mais pequena, só me ocorriam abelhas, mel e hexágonos e não percebia muito bem o que é que aquilo tinha que ver com a nossa família, com as nossas casas.

Depois percebi, por iniciativa minha, que a colmeia era a casa que as abelhas construíam no ambiente em que viviam; onde criavam e alimentavam os seus, com as melhores condições que conseguiam reunir. Fosse em grutas, em rochas ou em árvores ocas, elas reconstruíam sempre a mesma estrutura, a que lhes era funcional, e criavam as condições óptimas para fazer florescer a sua descendência. Mas a estrutura da colmeia era sempre a mesma.


O problema das analogias é que algures me posso perder nos detalhes. Não sei assim tanto sobre abelhas e colmeias que me permita estender esta analogia até onde quero. No entanto, gosto de pensar que as abelhas, construindo as suas colmeias em diferentes ambientes, fazem recurso dos meios disponíveis para se reconstruírem e para produzirem o seu alimento. Se o néctar vem da urze, o mel tem um sabor; se vier do rosmaninho tem outro sabor, e por aí fora. Está tudo bem, desde que a estrutura seja construída e seja funcional, para permitir a produção de alimento e a reprodução da espécie.

Não sei muito bem se é óbvio onde eu quero chegar. Talvez ainda me demore uns tempos a explicar tudo isto de forma mais concisa e clara. Já passaram uns meses desde que me mudei, desde que saí de uma vila, de uma cidade e de um país onde me sentia em casa, onde tinha uma estrutura, onde podia sair, fazer e acontecer porque eu conhecia os atalhos, navegava de forma intuitiva, mesmo quando não sabia muito bem por onde havia de ir. Tinha a estrutura da colmeia, só precisava de fazer o trabalho.


Agora, ainda me sinto em construção. A colmeia não está completa e volta e meia ainda me faz falta o suporte, o sentido de comunidade, o saber com quem falar, por onde me mexer, o que fazer. A família e os amigos de sempre. O sentir que determinado sítio, determinado gesto, determinada tradição tocava nas minhas raízes. Mas também já antecipo o sabor do mel. Já olho à minha volta e vejo o potencial. Já sei que há costumes, paisagens e hábitos muito distintos que também tornarão o mel saboroso. Muito diferente, mas igualmente delicioso. Estou a descobrir um ambiente novo para construir a minha colmeia, e o melhor de tudo é onde a analogia se quebra (se é que já não a quebrei antes)... a antiga colmeia não foi destruída. Está sempre no mesmo sítio para quando a quiser revisitar. Mas agora é tempo de construir uma nova, e eu acho que o mel que vai sair daqui vai ser muito bom.

3 comments:

maria mestre said...

Acho tão giro os teus pais chamarem colmeia às vossas casas, é ,sei lá, tão original. Passaste montes de mudanças de casa durante a tua juventude por isso colmeia era mesmo o nome indicado.

maria mestre said...

Acho tão giro os teus pais chamarem colmeia às vossas casas, é ,sei lá, tão original. Passaste montes de mudanças de casa durante a tua juventude por isso colmeia era mesmo o nome indicado.

Joana Maria said...

olá maria! obrigada. também acho o nome engraçado e cada mais acho que a analogia é mesmo rica :)